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Tratamento para Traumas em Florianópolis

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O trauma não é apenas um evento que aconteceu no passado, mas algo que insiste em se repetir no presente, paralisando a vida e tornando o cotidiano um campo de batalha. Na psicanálise, não tratamos o trauma apenas para "apagar" uma memória, mas para permitir que o sujeito possa, enfim, dar um destino a esse sofrimento que ficou travado.

Atendo presencialmente em Florianópolis e também na modalidade online, oferecendo um espaço seguro de escuta para que a experiência traumática, muitas vezes indizível, possa ser compartilhada e elaborada, permitindo que a vida siga seu curso para além da repetição.

O que é um trauma?

Psicanaliticamente, o trauma pode ser entendido como uma ruptura no aparelho psíquico que ocorre quando um evento externo ultrapassa a nossa capacidade de elaborar o que foi vivido. É como se o psiquismo fosse "invadido" por uma carga de afeto que não pôde ser traduzida em palavras ou significados no momento em que ocorreu. O trauma cria uma ferida que não cicatriza sozinha, deixando o sujeito em um estado de desamparo, onde o passado se impõe ao presente através de flashbacks, pesadelos ou uma sensação constante de que algo terrível está prestes a acontecer.

O trauma pode nascer de um evento único, um acidente, um assalto, uma violência, um luto abrupto, ou de vivências repetidas ao longo do tempo, como negligência, abuso, assédio ou relações destrutivas. O que chamamos de trauma complexo, ligado a contextos prolongadamente difíceis, costuma ser menos reconhecido, mas é igualmente real. Ele também não depende do tamanho do acontecimento: o que importa é como aquilo ficou registrado no corpo, nos afetos e no que se repete.

Sinais e sintomas do trauma

O trauma se manifesta de formas que fogem ao controle consciente do sujeito, muitas vezes sem que a pessoa faça a conexão com o que aconteceu:

  • Repetição compulsiva: a tendência de reviver o evento ou situações semelhantes, como se o inconsciente tentasse, sem sucesso, resolver o que ficou pendente.
  • Lembranças intrusivas: imagens, flashbacks ou pesadelos que surgem sem aviso e trazem de volta o que se queria esquecer.
  • Estados de alerta constante: o corpo permanece em modo de defesa, com ansiedade extrema, insônia, hipervigilância ou sobressaltos diante de estímulos do dia a dia.
  • Evitação: fuga de lugares, pessoas, datas ou assuntos que remetam ao que aconteceu, mesmo à custa de limitar a própria vida.
  • Desamparo e isolamento: uma profunda sensação de solidão, muitas vezes acompanhada pela crença de que "ninguém entenderia" o que foi vivido.
  • Entorpecimento afetivo: uma sensação de desconexão de si mesmo e dos outros, como se os afetos tivessem sido anestesiados.
  • Dificuldade nos laços: desconfiança e distanciamento que atrapalham relações próximas, muitas vezes sem que se entenda por quê.
  • Desmentido: o trauma pode gerar uma fragmentação da memória ou da identidade, em que o sujeito nega ou isola partes do que foi vivido para conseguir seguir funcionando.

Quando procurar ajuda para trauma

A busca por ajuda é fundamental quando a vida parece ter ficado "presa" ao momento do evento traumático. Se você sente que não consegue mais planejar o futuro, que seus relacionamentos estão sendo prejudicados ou que a dor do que aconteceu domina seus pensamentos e reações corporais, é o momento de buscar um espaço de testemunho.

O trauma precisa de um "outro" para ser compartilhado. É na relação com um analista, que sustenta uma escuta ética e não julgadora, que a experiência pode começar a ser transformada em história, no seu tempo, sem pressa e sem forçar lembranças.

Como a psicanálise trabalha com o trauma

O trabalho psicanalítico com o trauma foca no poder do testemunho e na reconstrução de laços:

  • O valor do testemunho: inspirada na literatura de testemunho, a psicanálise entende que poder falar sobre o indizível é um passo crucial. Dar voz ao trauma é o primeiro movimento em direção à elaboração.
  • Reconhecimento do outro: o trauma frequentemente destrói a confiança na relação com o outro. O analista sustenta esse lugar de reconhecimento, onde a experiência pode ser compartilhada e a relação primária com o cuidado pode ser ressignificada.
  • Trabalho de elaboração: em vez de forçar o esquecimento, trabalha-se para que o evento traumático perca sua força avassaladora, deixando de ser um "buraco" no presente para se tornar parte de uma trajetória que o sujeito pode, enfim, integrar.

Quando há sofrimento intenso ou urgência

Se há sofrimento muito intenso, crises, flashbacks frequentes ou pensamentos de se machucar, isso pede cuidado imediato. Procure o CAPS, a UPA mais próxima ou ligue para o CVV no 188, gratuito, sigiloso e disponível 24 horas. A análise atua no tempo da elaboração, não da emergência.

Trauma, desamparo e o cuidado em rede

O trauma coloca o sujeito em uma posição de desamparo radical, muitas vezes abalando a confiança na própria capacidade de se manter inteiro. O cuidado em rede, quando necessário, articula a escuta psicanalítica com outras formas de suporte, acompanhamento médico, psiquiátrico ou grupos de apoio, que ajudem a restaurar a segurança básica do sujeito.

A psicanálise oferece o suporte subjetivo necessário para que a pessoa possa, aos poucos, sair dessa posição de vítima do evento e recuperar sua capacidade de agir e desejar, compreendendo que, embora o trauma tenha deixado marcas, ele não define a totalidade da sua existência.

Sou Andriele Barbosa, psicóloga clínica e psicanalista, e ofereço um espaço seguro, sigiloso e cuidadoso para quem carrega vivências difíceis, sem exigir que você reviva tudo e respeitando cada passo do processo. Atendo em Florianópolis e online.

Observação clínica

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação psicológica, diagnóstico ou acompanhamento profissional. Cada processo clínico depende da história, do contexto e da escuta individual.

O trauma frequentemente se conecta a outros temas clínicos. Veja também:

Dê o primeiro passo

Se vivências passadas ainda afetam o seu presente, buscar ajuda é um ato de cuidado e coragem. O primeiro passo é uma conversa. Atendo em Florianópolis e online.

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